Descubra como aprender choque cardiogênico fácil e rápido

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Descubra como aprender choque cardiogênico fácil e rápido

Geralmente, as pessoas pensam que só existe choque daqueles que você enfia o dedo na tomada e fica com os cabelos arrupiados, tipo assim:

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Hahaha, mas não é bem assim!

Em enfermagem, o choque é uma situação que surge quando a quantidade de oxigênio no corpo está muito baixa e toxinas vão se acumulando, podendo causar lesões em vários órgãos e colocando a vida em risco.

E hoje vou te ajudar um pouco com esse assunto. Vamos aprender choque cardiogênico de um jeito fácil e rápido!

Nesse artigo você vai estudar sobre: 

  • Definição
  • Fisiopatologia
  • Etiologia – Possíveis causas do choque cardiogênico
  • Principais sinais e sintomas
  • Fatores de Risco
  • Como confirmar o diagnóstico
  • Como é feito o tratamento
  • Prevenção
  • Epidemiologia
  • Manifestações Clínicas

Definição

A primeira coisa que você precisa saber é a definição de choque cardiogênico. Isso facilitará o seu entendimento durante o estudo.

O choque cardiogênico é uma situação de hipoperfusão tecidual sistêmica devido à incapacidade do músculo cardíaco fornecer débito adequado às necessidades do organismo. 

Existem vários tipos de choque, assim, o cardiogênico ocorre quando a causa primeira é uma disfunção cardíaca.

O diagnóstico clínico de choque cardiogênico é feito na presença de hipotensão arterial (pressão arterial sistólica (PAS) <90mmHg ou 30mmHg abaixo do valor basal), indicativos de hipoperfusão tissular, por exemplo, oligúria, cianose, extremidades frias e alteração nos níveis da consciência.

A persistência do estado de choque, logo após a correção de fatores miocárdicos e extracardíacos, que contribuem para a redução da perfusão tecidual, tais como hipovolemia, arritmias, hipóxia, distúrbios metabólicos e do equilíbrio ácido-básico comprovam o diagnóstico de choque cardiogênico. 

Quando se utiliza monitorização hemodinâmica invasiva, o diagnóstico é feito quando são encontradas as seguintes alterações:

  •  4 (parâmetros cujos valores têm certa variabilidade na literatura médica): PAS <90mmHg; 
  • pressão capilar pulmonar >18mmHg; 
  • índice cardíaco <1,8 l/min/m²;
  • índice de resistência vascular sistêmica >2000 dina/s/cm5 /m2;
  • aumento da diferença arteriovenosa de O2 >5,5ml/dl.

Fisiopatologia

Para entender os sinais e sintomas do choque precisamos conhecer a fisiopatologia dessa doença, ou seja, quando há alterações anormais no organismo com o objetivo de identificar as origens e as etapas de formação da patologia.

Dessa forma, em choque cardiogênico, as alterações ocorrem a partir da oclusão de uma artéria coronária importante e perda de quantidade apreciável de massa muscular miocárdica.

Assim, desencadeia-se uma série de ciclos viciosos que, ao se perpetuarem, culminam no quadro de choque, insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas e óbito. 

A hipotensão resultante da perda de massa muscular pode provocar hipoperfusão de áreas miocárdicas, ainda viáveis, colaborando para o agravamento da função ventricular. 

Estima-se que seja necessário perda de, no mínimo, 40% da massa ventricular esquerda para que se instale o choque cardiogênico. 

A perda de massa ventricular pode ser consequência das seguintes situações:

  •  um grande infarto em pacientes previamente hígidos;
  •  pequenas perdas, em pacientes previamente infartados;
  •  grandes áreas de isquemia com pouca necrose, em pacientes com doença aterosclerótica coronariana avançada. 

Mecanismos compensatórios, como a ativação do sistema nervoso autônomo e do sistema renina-angiotensina-aldosterona promovem aumento da frequência cardíaca, vasoconstrição reflexa, retenção de sódio e água, elevando, assim, o consumo miocárdico de oxigênio. 

A persistência da situação de baixo débito tecidual acaba por acentuar a hipóxia, com acúmulo de metabólitos, acidose e dano endotelial e celular. 

Este mecanismo também proporciona o aparecimento de arritmias cardíacas, que danificam ainda mais o desempenho cardíaco e podem até levar ao óbito. 

 A via final desta situação fisiopatológica é o  desenvolvimento de insuficiência de múltiplos órgãos. 

Dos pacientes que desenvolvem choque cardiogênico na fase aguda do IAM, 10-30% o fazem nas primeiras 24h, estando este relacionado à extensa perda de massa muscular. 

Nos pacientes que o desenvolvem após o 1º dia, uma complexa inter-relação entre áreas necrótica e viável é responsável por uma sequência de eventos. 

A extensão, expansão e a formação de aneurisma alteram os volumes e a geometria ventricular, aumentam o estresse e o consumo de oxigênio pelo miocárdio, ao mesmo tempo, em que prejudicam a perfusão coronária. 

Eu sei que é muita informação, mas dá uma olhada no esquema que vai ficar super fácil de estudar. Veja só:

Etiologia – Possíveis causas do choque cardiogênico

Todas as coisas na nossa vida tem um porquê. Dessa forma, choque cardiogênico também tem as suas causas, motivos para ter acontecido.

Na tabela abaixo, você poderá ver as mais frequentes etiologias do choque cardiogênico.

Para você ficar por dentro, separei outras possíveis causas do choque cardiogênico. Dentre elas, confira algumas:

  • Falência ventricular esquerda
  • Infarto do miocárdio – Miocardites
  • Cardiomiopatias – Lesões valvares 
  • Disfunção miocárdica na sepse
  • Distúrbios de condução – Bradiarritmias
  • Taquiarritmias – Shunt arterio-venoso

Principais sinais e sintomas

Você acha que está tendo ou que alguém está tendo um choque cardiogênico, mas não sabe ao certo quais os sintomas?

Se liga só nesse checklist:

Quando há acúmulo de líquido nos pulmões ou edema pulmonar, também pode surgir falta de ar e sons anormais ao respirar, como chiado, por exemplo.

Uma vez que o choque cardiogênico é mais comum após um infarto, estes sintomas são também acompanhados dos sintomas de infarto, como sensação de pressão no peito, formigamento no braço, sensação de bola na garganta ou náuseas. 

Fatores de Risco

Pessoas que têm alguma dessas características estão na linha de risco dentre aqueles que podem ter um choque cardiogênico. Fique atento! Dentre os fatores de risco estão:

  • Pessoas com mais de 60 anos
  • Histórico familiar ou pessoal de doenças cardíacas
  • Diabetes mellitus
  • Insuficiência cardíaca congestiva (ICC)
  • Hipertensão
  • Angina de peito
  • Insuficiência Cardíaca Coronariana (ICO)

Como confirmar o diagnóstico

Caso exista suspeita é muito importante ir rapidamente à emergência do hospital, pois o diagnóstico de choque cardiogênico precisa ser feito o mais rápido possível.

O médico poderá utilizar alguns exames, como medição da pressão arterial, eletrocardiograma ou raio X do peito para confirmar o choque cardiogênico e iniciar o tratamento mais adequado.

Como é feito o tratamento

No tratamento de choque cardiogênico existem algumas medidas e estratégias gerais. Dentre elas estão:

  • Controle da dor
  • Uso de medicamentos
  • Oxigenação e/ou Ventilação mecânica
  • Sedação
  • Cateterismo
  • Cirurgia

Mas vamos estudar cada uma separadamente para você entender melhor sobre esses processos e o que fazer em cada caso

Controle da dor

Nessa medida usa-se o sulfato de morfina e/ou meperidina ministrado de forma endovenosa, prestando-se especial atenção aos níveis pressóricos, pois esta medicação pode causar séria hipotensão com adicional prejuízo na perfusão coronariana.

O controle da dor reduz o consumo de oxigênio miocárdico e o nível de catecolaminas séricas, devendo ser atingido o mais precocemente possível, no sentido de se evitar dano miocárdico. 

Uso de medicamentos

Claro que a primeira coisa a se fazer é manter o paciente hidratado.

Dessa forma, o soro é a primeira aplicação de medicação a ser feita de maneira intravenosa. Contudo, somente soro não é suficiente, então precisa-se utilizar outros medicamentos. 

Eles iniciam o tratamento sendo aplicados na veia, porém podem ser tomados oralmente após melhora do quadro clínico.

Outros possíveis medicamentos são:

Agentes inotrópicos e vasopressores

As drogas mais utilizadas no tratamento destes pacientes são as aminas simpatomiméticas. Devem ser administradas na presença hipoperfusão tecidual, depois que o volume intravascular for adequadamente restaurado. 

Essa droga tem a propriedade de estimular receptores alfa-1 e beta-1 e 2 adrenérgicos. Suas ações inotrópica e cronotrópica positivas não dependem da liberação de noradrenalina endógena como as da dopamina. 

Os efeitos hemodinâmicos da dobutamina são doses dependentes. Em geral, há diminuição das pressões venosa central e capilar pulmonar decorrentes do melhor desempenho do coração, sem ocorrer, entretanto, alteração da resistência vascular pulmonar. 

As aminas simpatomiméticas não devem ser prescritas a portadores de hipotensão arterial severa, sobretudo quando se pretende ajustá-la aos níveis pressóricos, devendo a noradrenalina ser, primeiramente empregada.

A dopamina também pode ser usada, principalmente quando hipotensão e hipoperfusão moderadas estão associadas, pois sua posologia pode ser ajustada e propiciar um aumento do inotropismo com discreta vasoconstrição periférica. 

Deve-se ainda salientar que a maioria dessas drogas inibidoras da fosfodiesterase tem sua aplicação somente na fase aguda do choque cardiogênico, servindo apenas como uma ponte para um tratamento definitivo, seja ele cirúrgico ou não. 

Os inibidores da enzima conversora, apesar de serem disponíveis por via endovenosa, possuem período de ação prolongado, o que dificulta sua retirada se ocorrerem efeitos deletérios após sua introdução.

Os digitálicos podem piorar a condição hemodinâmica do paciente, pois causam vasoconstrição periférica e podem aumentar o consumo de oxigênio. Seu uso tem sido reservado para o controle de taquiarritmias atriais. 

Os antiarrítmicos devem ser administrados rapidamente para controle de arritmias supraventriculares ou ventriculares que possam diminuir o DC (débito cardíaco) ou aumentar o consumo de oxigênio do miocárdio.

A droga preferida, que apresenta pouca ação inotrópica negativa, é a amiodarona. Deve-se destacar que em pacientes com choque cardiogênico devido a infarto do VD (ventrículo direito), dá-se preferência ao uso da dobutamina em relação à dopamina, devido a seus efeitos benéficos em território pulmonar. 

Nesses pacientes, a terapêutica básica consiste em restaurar a pressão de enchimento ventricular esquerda, através de infusão de volume, manutenção do ritmo sinusal, ou então o uso de marcapasso atrioventricular sequencial, naqueles com bloqueio atrioventricular.

Vasodilatadores

São drogas que reduzem a congestão pulmonar e facilita o esvaziamento ventricular, além de contribuir para a diminuição do consumo de oxigênio do miocárdio. 

Mas apesar de todos os benefícios, existe um problema: HIPOTENSÃO. 

A hipotensão pode amplificar os mecanismos fisiopatológicos que agravam o choque e reduzir ainda mais os fluxos coronariano e cerebral.

Diuréticos

Em pacientes com falência ventricular esquerda, podem ser considerados como drogas de primeira escolha.

Contudo, devem ser usados com cuidado porque uma superdosagem pode levar a um estado hipovolêmico. Logo, a consequência é uma  redução acentuada da pressão de enchimento do VE (ventrículo esquerdo), especialmente em indivíduos idosos. 

Se utilizar o cateter de Swan-Ganz, essa manipulação será facilitada com a monitorização hemodinâmica. 

Associação de drogas

Geralmente, no choque cardiogênico precisa-se fazer a associação de dois ou mais tipos de drogas para que o resultado terapêutico seja melhor. A escolha da combinação ideal é feita através da monitorização invasiva, dessa forma, minimiza a perda adicional de músculo cardíaco e o sofrimento de outros órgãos.

Oxigenação e/ou ventilação mecânica

Continuando então as possíveis formas de tratamento para o choque cardiogênico, vamos falar sobre oxigenação ou ventilação mecânica.

Nesse caso, há um aumento na oferta de oxigênio ao nível tissular. A administração de oxigênio através de cateter nasal com 2 a 3l/min.

Controles gasométricos devem ser feitos para a otimização terapêutica. Se necessário, a ventilação mecânica deve ser instituída, propiciando uma diminuição do consumo de oxigênio pela musculatura torácica.

Sedação 

A sedação é feita quando necessário com alprezolan ou diazepam endovenoso, na dose de 5mg ou mais, de acordo com a necessidade, além da analgesia.

Cateterismo

Esse tipo de tratamento é feito para restaurar a circulação para o coração. 

Vou te explicar como funciona!

O médico geralmente insere um cateter, que é um fino longo e comprido, através de uma artéria, geralmente na região do pescoço ou da virilha, até ao coração.

Então, um possível coágulo é removido e assim, permite que o sangue volte a passar adequadamente.

Cirurgia

Caso não haja melhoras com o uso de medicamentos ou cateterismo, a solução final é a cirurgia.

A cirurgia pode servir para corrigir uma lesão no coração ou para fazer um bypass cardíaco, no qual o médico coloca outra artéria no coração para que o sangue passe até à região que está sem oxigênio devido à presença de um coágulo.

O transplante cardíaco só acontece se o funcionamento do coração estiver bastante afetado e nenhuma técnica anterior tenha obtido o sucesso desejado. Mas isso pode ser bem complicado, pois o doador tem de ser compatível.

Prevenção

Já ouviu aquela frase: É melhor prevenir do que remediar?

Pois é, parece até conselho de mãe, mas a verdade é que quando prevenimos, quando tomamos cuidado com antecedência, nós estamos nos livrando de um quadro perigoso.

Assim, se você segue algumas dicas consegue prevenir situações com novos choques cardiogênicos.

Cuide da sua alimentação. O seu organismo precisa estar saudável. 

Ter uma dieta baixa em gorduras, LDL e triglicerídeos (encontrada principalmente em carnes gordurosas, ovos e frituras), dieta rica em cálcio e ferro, é extremamente importante, bem como fazer exercícios físicos regulares, não fumar e não usar drogas cardio depressoras sem recomendação médica.

Além disso, depois de um infarto, o uso cuidadoso de betabloqueadores e inibidores da ECA em cardiopatas é essencial para evitar a hipotensão que causam novos choques cardiogênicos. 

Epidemiologia

Segundo pesquisa realizada nos EUA, o choque cardiogênico tem taxa de mortalidade variando conforme a raça. Sendo:

  • Hispânicos: 74%
  • Afro-americanos: 65%
  • Brancos: 56%
  • Asiáticos: 41%

É um agrave que ocorre mais em homens (58%) do que mulheres (42%) e a idade média é 66 anos.

Manifestações Clínicas 

  • Hipotensão arterial  PAS < 90 mmHg ou 30 mmHg abaixo do basal por mais de 30 minutos 
  •  Queda rápida e acentuada do índice cardíaco (habitualmente < 2,2 l/min/m2) 
  •  Oligúria  diurese < 25 ml/hora 
  • Taquicardia 
  • Vasoconstrição periférica com palidez, cianose, sudorese, confusão mental, extremidades frias

Conclusão

Até aqui você pôde aprender um pouco mais sobre o choque cardiogênico!

Foi mais que um choquinho no dedo né? Você ficou com os cabelos em pé depois de descobrir isso tudo? Eu fiquei!

Provavelmente você entendeu o conceito, sabe como confirmar o diagnóstico, fazer o tratamento, bem como prevenir essa situação. 

Mas não esqueça de revisar o conteúdo periodicamente e resolver questões para fixar o assunto.

Se tiver dúvidas, deixe aqui nos comentários!!

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